top of page
MAPULU, A PRIMEIRA PAJÉ
Documentário
Mapulu Kamayurá é líder feminina do Parque Indígena do Xingu. Foi nomeada autoridade na aldeia ainda criança, pelo pai, o Cacique Takumã, e pelo tio, que também atuava como liderança indígena dos Kamayurás. Hoje, atua como Pajé e como uma das vozes indígenas femininas mais expressivas do país.
A Pajé conta que em sua aldeia as mulheres têm papel fundamental em todas as atividades – do cuidado com a rotina da comunidade à perpetuação oral de suas culturas. “A gente trabalha na roça, cuida dos animais, cria e educa as crianças, faz os artesanatos, cozinha, cuida da casa, lava as roupas, busca doações. É um trabalho sem fim que é obrigação da mulher”, detalha.
Tais responsabilidades na vida das mulheres da aldeia começam cedo: meninas Kayamurás ficam reclusas do resto da comunidade por meses e, em alguns casos, por anos, dentro das malocas, até alcançarem a adolescência. O ritual, um dos mais importantes da etnia, se inicia quando elas encaram seu primeiro ciclo menstrual. Ficam então confinadas, sem pegar sol nem ter contato social, por meses. O prazo de reclusão é determinado pelos seus pais e, em geral, tem relação com o tempo que elas levarão para aprender a fazer artesanato e cozinhar.
Nesse período, as kamayurás deixam o cabelo crescer e têm a alimentação reforçada por uma dieta de beiju, mingau e peixe. A intenção é que ganhem peso e curvas rapidamente. Também são ensinadas a amarrar fios de palha nas panturrilhas e nas coxas para engrossar a perna. No fim do isolamento, recebem uma maratona de conselhos de familiares sobre a vida, a família, filhos, trabalho, casamento e, enfim, cumprem o ritual que as transforma em mulher.
Quando termina a reclusão, é montada uma grande festa onde são apresentadas à aldeia como mulheres formadas. A partir daí, já podem decidir quando e com quem irão casar e, automaticamente, entram na rotina da aldeia: passam a trabalhar diariamente na roça, assumem os afazeres das ocas, buscam água no rio, cuidam das crianças umas das outras. Aprendem a passar e a perpetuar, oralmente, à cultura Kamayurá. Algumas delas alcançam novos status quando são reintroduzidas à aldeia: viram parteiras, curandeiras, pajés, líderes.
Mapulu, além de líder, também é pajé Kamayurá. Atende pacientes e realiza partos em todo o Xingu. “Não tenho queixa da vida de mulher indígena. Trabalhamos muito, mas somos muito respeitadas entre os nossos. Mas no mundo fora da Aldeia a mulher índigena precisa de mais espaço. De mais voz. De participação”
Direção/Direction:
VIVIANE D'AVILLA E GRACE GUARANI (CODIREÇÃO)
Roteiro/Screenplay:
ANA ABREU
PAULO DIMANTAS,
RENATA TUPINAMBÁ,
VIVIANE D'AVILLA,
Empresa Produtora/Production Company:
OÁ FILMES
Produção/Production:
PAULO DIMANTAS,
VIVIANE D'AVILLA,
Fotografia/Photography:
MILENA SETA
Montagem/Editing:
PAULO DIMANTAS,
VIVIANE D'AVILLA,
NATÁLIA FARIAS,
Música/Music:
GIL GREGÓRIO
Conheça o projeto social apoado pelo filme
PDF DO PROJETO
bottom of page